Como é uma escola para o futuro?

Para lidar com um mundo cada vez mais tecnológico, incerto e volátil, os alunos precisam desenvolver habilidades socioemocionais e competências de alta complexidade
 

Se a função da escola é preparar os alunos para enfrentarem os desafios do seu tempo, a escola para o futuro deve formar os estudantes para um mundo cada vez mais complexo, ambíguo, volátil e incerto. “Além dessas características, esse mundo também é muito conectado, a automação e as transformações tecnológicas acontecem em velocidade exponencial e a questão da sustentabilidade está presente”, afirma Leticia Lyle, diretora da Camino Education e diretora pedagógica da Camino School. “Nesse cenário, nós pensamos nas habilidades e competências que os estudantes de hoje precisarão desenvolver para conviver bem nessa nova realidade.” De acordo com ela, imaginar essa escola para o futuro é, na verdade, considerar que esse momento já chegou, pois estamos no primeiro quartil do século XXI.

 

A escola pensada para atender as demandas do século XXI tem algumas diferenças bem marcantes em relação àquelas que conhecemos no século XX, centradas na figura do professor, excessivamente conteudistas e com muitas aulas expositivas. “Esse modelo era essencial para a transmissão de conhecimentos, uma vez que as informações não eram tão disponíveis e acessíveis como hoje. Mas esse padrão começa a mudar e a relevância atualmente está muito mais na relação e no engajamento dos alunos com a aprendizagem do que no acesso ao conteúdo, que está na palma da nossa mão”, explica a diretora.

 

Outra mudança importante, segundo ela, diz respeito ao papel da escola em promover o acesso à educação, que passa do privilégio de poucos à universalização do ensino. Essa transformação, por sua vez, leva a uma reflexão sobre equidade — como garantir que pessoas vindas de lugares diferentes, com bagagens culturais e educacionais distintas, possam alcançar o mesmo ponto de chegada. E mostra, ainda, a necessidade da escola de ser heterogênea, multicultural e fazer adaptações para acolher diferentes perfis de estudantes e trabalhar com a diversidade, além de prover uma educação que, ao mesmo tempo, viabilize os acessos presencial e remoto.

 

Leticia considera que todos esses fatores se refletem na formação que a escola para o futuro deve proporcionar, focada na preparação dos estudantes não mais para tarefas simples que exigem habilidades de baixa complexidade, como observar, descrever, listar e etc, mas atividades de alta complexidade, que envolvem criatividade, pensamento crítico e competências socioemocionais bem desenvolvidas. Isso se faz com aprendizagem ativa.

As habilidades socioemocionais e o desenvolvimento do aluno

Essas competências dizem respeito à capacidade de tomar decisões responsáveis e éticas, conhecer-se, relacionar-se de maneira positiva com os outros, conseguir alcançar os próprios objetivos e considerar o bem comum. “Outro aspecto que percebemos na escola do século XXI é que essas competências e habilidades socioemocionais são indissociáveis do processo de aprendizagem. Portanto, saber fazer essa gestão emocional é essencial para conseguir ter desenvolvimento cognitivo”, afirma a educadora. 

 

Ela ressalta que as competências socioemocionais também permitem que os estudantes desenvolvam seus projetos de vida. “Elas possibilitam que eles entendam seus pontos positivos, habilidades e desafios e tracem planos. Isso tem muito a ver com as habilidades que a gente precisa para aprender ao longo da vida neste mundo cada vez mais complexo e tecnológico. ”