Cultura digital é fundamental para engajar os estudantes no processo de aprendizado

Instituições precisam integrar as plataformas ao cotidiano escolar e oferecer capacitação aos professores; estudantes ganham em diversidade de conteúdos e visões que dialogam com a sua realidade

Inserir a cultura digital nas escolas é um dos maiores desafios da educação atualmente. A utilização de celulares, tablets, computadores e plataformas educacionais como recurso pedagógico para favorecer o processo de ensino e aprendizagem ainda é uma realidade distante de grande parte dos colégios brasileiros. “O tempo da escola, a lógica da aula, a formação e a didática do professor, o conteúdo do livro, nada disso conversa com a vida do estudante, muito permeada pelo mundo digital. Esse é o maior abismo que existe hoje entre alunos e escolas”, diz Renato Dias, diretor de inovação e produto da Camino Education.

 

Ele aponta que as crianças e os adolescentes escrevem em meio digital desde muito cedo, interagem com Google, YouTube e outras plataformas e têm acesso a uma variedade e multiplicidade de conteúdos e mídias, enquanto a sua experiência na escola é limitada ao livro. “O conhecimento está encerrado naquele conjunto de páginas, que tem um ciclo de produção que demora três anos para ficar pronto. Isso significa que o aluno está lendo hoje o que foi escrito há três anos. Nesse período, o mundo é outro.”

 

Segundo Dias, para a cultura digital ser desenvolvida e fomentada, o primeiro passo é gestores, professores e a comunidade escolar como um todo decidirem trazer isso para a instituição. Também depende de capacitação e assessoria aos docentes, não só no sentido técnico de como operar uma plataforma, por exemplo, mas de entender o que é aquela proposta. Adicionamente, é preciso que ocorra de fato a sua integração no cotidiano da escola, além da modernização da sua infra-estrutura tecnológica. 

O digital no currículo

“Uma decisão que tomamos quando desenvolvemos a Cloe, a plataforma digital de aprendizagem da Camino, é que ela não fosse um penduricalho, mas atuasse no coração da experiência da escola, que é o currículo. É preciso criar costumes e práticas que tragam as plataformas e a conectividade para o dia a dia”, afirma o diretor. Além de conteúdos, a Cloe permite que os alunos realizem avaliações e acompanhem seus resultados e progressos no processo de aprendizagem. Os professores também têm acesso a cursos e formações.

 

Para Dias, a proximidade que o estudante tem com o meio digital — no celular, no computador em casa, no tablet, no Whatsapp, no Instagram — traz um mundo de possibilidades para o professor. Por exemplo, o professor de História pode dar aula com um meme. Na aula de Geografia, em vez de ficar restrito a uma única foto de uma paisagem, ele pode mostrar mil imagens no Instagram. Outra oportunidade que o digital traz são visões diferentes sobre o mesmo tema, enquanto no livro didático há apenas uma voz, a do autor daquela obra.

 

“O mundo digital traz essa multiplicidade e diversidade de conteúdos e perspectivas, de forma muito mais alinhada com a realidade do estudante. É um vasto repertório para o professor atuar com o aluno e também para ele mesmo se formar e aprender”, completa o diretor.