Ambiente digital potencializa muito mais a aprendizagem do que livros didáticos impressos, diz CEO da Camino Education

Plataformas digitais permitem expansão dos espaços e tempos em que os estudantes têm acesso aos conteúdos, múltiplas possibilidades de interação e vivências de diferentes experiências multimídia

Mesmo que a percepção das famílias possa mudar significativamente a partir da pandemia da Covid-19, falar de uma metodologia de ensino que não utiliza livros didáticos impressos ainda pode assustar muitos pais e mães. Mas Fernando Shayer, um dos sócios-fundadores e CEO da Camino Education, tem uma visão contundente no sentido contrário: “Atualmente, investir em livro didático impresso é um desperdício financeiro e educacional para as escolas e para os pais. Ambos, livros impressos e plataformas digitais, são tecnologias para auxílio dos professores na tarefa de educar, o que vai muito além dessa tecnologia escolhida. Mas, em todos os aspectos relevantes, as plataformas digitais já são muito mais eficazes do que os livros impressos, porque os seus diversos elementos possibilitam um nível superior de aprendizagem dos estudantes e de formação dos professores”.

 

Entre esses elementos, Shayer destaca a possibilidade de expansão do espaço e do tempo da aprendizagem. “Em relação ao espaço, a tecnologia transforma as paredes rígidas da sala de aula em membranas mais abertas ao mundo exterior. Estamos vendo isso agora no ensino remoto, quando conseguimos transformar a sala de aula física em um lugar expandido, que inclui as casas de todos os estudantes. ” De acordo com ele, a tecnologia também expande enormemente o tempo da aprendizagem, ao permitir o acesso ao conteúdo educacional digital em qualquer momento, pelo smartphone, ipad, Chromebook ou computador, que reúnem outras inúmeras funcionalidades. “Diferentemente do livro impresso, o conteúdo está dentro do mesmo dispositivo que tem todas as outras coisas que o estudante está acostumado a fazer para se divertir.  O conteúdo está sempre nas mãos do estudante”.

 

Além do espaço e do tempo, as plataformas digitais também possibilitam uma expansão de mídias e modos de aprendizagem, ao permitir que o aluno tenha experiências diferentes, como ler um texto, visualizar uma foto, ver vídeos, ouvir música e criar experiências de aprendizagem nessas mídias digitais. “As pesquisas em Ciência da Aprendizagem apontam para uma expansão da quantidade, da força e da estabilidade da conexão entre os neurônios quando se usam múltiplas mídias. Isso é aprendizagem”, afirma o diretor executivo.

 

Outro ponto relevante relacionado ao uso das plataformas educacionais, segundo Shayer, é o acesso a dados. Cada vez que o aluno faz uma atividade na plataforma, ela gera um registro, o que viabiliza a elaboração de um portfólio do estudante, com as provas, exercícios e criações que realizou. “Esse material mostra a evolução da compreensão por parte do aluno sobre determinado tema e fornece elementos adicionais para que a escola e os professores façam intervenções pedagógicas mais precisas e melhores”.

Possibilidade de maior interação e engajamento

Para ele, o engajamento é outro benefício dessas plataformas, ao permitir a interação e a criação conjunta dos alunos, recurso que o livro não possui. “Os estudantes podem se juntar e fazer um texto, um vídeo ou compartilhar uma apresentação. A quantidade de projetos que podem ser desenvolvidos é infinita. E sabemos que criar em conjunto possibilita um enorme engajamento, o que é um fator central na aprendizagem”, destaca.

 

O diretor executivo considera que, como se trata de algo que os alunos estão acostumados, pois são nativos digitais, o ambiente digital também traz engajamento por esse motivo. Da mesma forma para os professores, de todas as idades, que costumam ter familiaridade com redes sociais, por exemplo. “Está claro nessa pandemia que o ambiente digital é muito propício para formação de professores em larga escala. Basta ver o número de webinários e lives que estão sendo disponibilizadas. Não é uma novidade que vem de fora para dentro na vida deles, pelo contrário. Então, por que esse ambiente digital não está na sala de aula? ”, questiona.

 

Ele ressalva, no entanto, que é muito importante que os alunos continuem usando cadernos físicos, principalmente nos anos iniciais, pois são tecnologias que facilitam a alfabetização e desenvolvem competências fundamentais relacionadas à escrita. Mas quanto aos livros impressos, na opinião dele, governos e escolas deveriam cada vez mais fazer um movimento direcionado no sentido da criação de infraestrutura necessária à adoção de tecnologia digital, estabelecendo parcerias para obtenção de equipamentos, por exemplo. “Muitas escolas já perceberam isso. E a quantidade delas aumentará muito, de agora em diante. O dinheiro excessivo investido em papel, gráfica, armazém e logística de livros impressos deveria estar sendo investido em itens que conduzem à uma aprendizagem relevante para o futuro, como formação de professores, plataformas educacionais e dispositivos Inteligentes”.

 

Shayer traz, por fim, um argumento adicional contrário à adoção de livros impressos: “Além das razões educacionais e financeiras, ele é prejudicial do ponto de vista ambiental.  Isso é importante”.